Empreendimento Boulevard, da Even

Inovação gerando resultados

Carlos Eduardo Terepins, presidente da Even, responde a entrevista sobre os resultados da companhia em 2010, aquecimento do mercado imobiliário e os desafios para o futuro

Quais foram os destaques da Even em 2010?

Os aspectos de maior relevância da empresa em 2010 dizem respeito primeiro ao desempenho operacional da organização. Nós tivemos vendas recordes na história da Even, cumprimos integralmente nosso guidance de lançamentos, entregamos 17 diferentes projetos e alcançamos uma rentabilidade bastante apreciável dentro do setor. Quebramos, também, nosso próprio recorde de lucro, ultrapassando a quantia de R$ 250 milhões. Do ponto de vista ideológico, que diz respeito à marca da empresa, consolidamos em definitivo a questão da inovação e da sustentabilidade como os dois maiores pilares que identificam a organização. Tenho a impressão de que fomos bastante bem-sucedidos nesse aspecto.

Esses são resultados que não se devem somente ao aquecimento do mercado, mas também à virtude operacional da empresa, pois, para coletar bons resultados, ela precisa cumprir seu papel, especialmente em um mercado competitivo como é o da construção civil. É uma combinação de agentes internos e externos – o mercado externo bastante aceso, mas suprido e atingido por uma empresa competitiva e eficiente.

Como a Even se posiciona diante do atual cenário de expansão do setor de construção civil? Como ela se prepara para os próximos anos?

A Even é uma empresa moderna, de porte ágil e que tem sabido tirar vantagem de algumas oportunidades interessantes para o mercado. Evidentemente, como é um mercado sem barreiras de entrada, na medida em que ele se mostra aceso, ele também faz um convite à intensificação da operação de nossos concorrentes, assim como à entrada de novos. Desse modo, temos de estar permanentemente com um volume de informações atualizadas e prospectando tendências para não sermos surpreendidos por movimentos de superoferta ou por uma concorrência perigosa do ponto de vista de rebaixamento do preço dos estoques, por exemplo.

De que forma o relacionamento da Even com o cliente é impactado por esse crescimento do mercado? Que medidas a empresa tem adotado para manter um bom relacionamento com os clientes?

O que acontece é que, por um lado, houve forte aumento na demanda e, por outro, a capacidade de entrega das empresas não consegue acompanhar esse crescimento. É fatal que o cliente passe a ser, de alguma forma, penalizado com problemas decorrentes de qualidade e prazos.

Nesse sentido, temos tomado um conjunto de providências. A primeira delas foi transmitir, de cima para baixo na organização, a ideia de que o cliente é nosso maior ativo. Não usamos isso como uma figura de retórica, e sim como inspiração para um conjunto de procedimentos e planos de ação.

Por exemplo, na área Técnica estamos aperfeiçoando continuamente os setores de atendimento ao cliente e assistência, para reduzir cada vez mais o tempo de atendimento às solicitações. Também aumentamos a equipe e reforçamos a contratação de profissionais altamente qualificados para a Central de Relacionamento com os clientes.

Essas medidas devem permitir que a companhia consiga fazer frente ao crescimento da base de clientes. Se conseguirmos manter uma boa performance mesmo com um crescimento vertiginoso da base de clientes, alcançaremos sucesso em nossa missão.

Para a Even, quais as prioridades estratégicas e temas fundamentais referentes à sustentabilidade?

Acredito que sustentabilidade é um conjunto de valores e diz respeito à preocupação tanto ambiental quanto com responsabilidade social. Assim, a Even tem preocupações que têm gerado, ao longo do tempo, atitudes. Na questão ambiental, por exemplo, atuamos em diversas frentes, dentre as quais o tratamento de resíduos, o uso racional da água, a avaliação responsável da questão de emissões de gases de efeito estufa (GEE), a utilização de madeira certificada e a tentativa crescente de evitar o uso de materiais danosos ao meio ambiente. Procuramos também garantir a correta destinação de resíduos como o gesso e adotar processos construtivos que permitam manutenções futuras sem gerar resíduos. Da mesma forma, procuramos manter um bom relacionamento com as comunidades do entorno de nossos empreendimentos, minimizando os impactos que uma obra pode causar na rotina das pessoas que moram nas proximidades, e adotamos uma série de práticas para garantir a segurança e a qualidade no ambiente de trabalho dos empreiteiros.

E como o senhor avalia a evolução do tema da sustentabilidade como critério de escolha por parte do cliente?

Os consumidores têm sido progressivamente educados sobre o assunto, e as empresas estão claramente associando sua marca e sua imagem a essa questão. Nesse tema, a Even é pioneira em seu setor. Essa vinculação não nasce de oportunismo, mas de uma prática ideológica e consciente, e terá valor à medida que a organização fornecer, primordialmente, produtos satisfatórios aos seus clientes. Não adianta termos uma imagem interessante do ponto de vista de sustentabilidade, mas que seja conflitante com a qualidade do produto e do atendimento que oferecemos.

Quem embarca nessa trajetória passa a ter um reconhecimento maior, mas será também muito mais cobrado do que as companhias que se restringem simplesmente a produzir um bem que será vendido ao mercado. Essa é a diferença entre a empresa cidadã e as demais.

De que modo a inovação está incorporada no cotidiano da Even?

Muitas vezes se pensa que inovação se restringe somente a tecnologia. Inovação também reside no produto, no processo produtivo, na arquitetura, na detecção das diferentes tendências de mercado e na percepção, especialmente nas grandes cidades, de que existe uma multiplicidade de públicos interessados. Inovação também é uma capacitação diferenciada dos colaboradores, uma interação criativa com os stakeholders e a adoção de uma linguagem direta, desimpedida e correta com os clientes. Inovação é perceber que a empresa não é um indivíduo, mas uma equipe que tem continuamente de interagir e se capacitar. Inovação não pode ser apenas um delírio criativo. Por definição, ela tem de gerar usos, valores e resultados.

Quais os principais desafios para 2011?

O principal desafio em 2011 será manter o ritmo e a qualidade do crescimento que alcançamos nos últimos dois anos, ao lado da formação do melhor banco de talentos do setor no país. A Even certamente crescerá organicamente, pois apresenta, neste momento, uma sólida capacidade operacional financeira e tem claramente a adesão entusiasmada de um corpo de colaboradores jovem, qualificado e ambicioso. Quanto ao mercado como um todo, tenho a impressão de que o setor continuará crescendo nos próximos anos, embora seja considerada a hipótese de que, do ponto de vista macroeconômico, o país experimentará certa redução na atividade econômica. Com isso, as empresas mais coesas e articuladas conseguirão despontar nesse cenário de competição mais dura. A Even está preparada, mas nunca considero isso uma tarefa acabada – é uma tarefa em contínuo movimento.